Havana

capa.altaPublicado em outubro de 2010, “Havana” ganhou o prêmio Livro do Ano da Associação Gaúcha de Escritores e foi finalista do Prêmio Açoriano de Literatura, da prefeitura de Porto Alegre.Açorianos selo finalista

Havana no olhar de um aventureiro

Em Havana, Airton Ortiz inaugura a Coleção Expedições Urbanas, sobre o cotidiano em várias metrópoles ao redor do globo

O gaúcho Airton Ortiz pode ser definido de várias maneiras: explorador, aventureiro, escritor, jornalista especializado em natureza selvagem… até fotógrafo! Depois de escalar o Kilimanjaro, a montanha mais alta da África, percorrer as trilhas do Himalaia, no Nepal, desafiar o Serviço Secreto do Exército da China e viajar até o gelado Alasca, Ortiz se dedica a ousada tarefa de desbravar a selva de pedra. Na Coleção Expedições Urbanas, ele vai atrás do bicho-homem, suas alegrias, esperanças e frustrações. E, como bom aventureiro, acaba sempre se metendo nas histórias que descreve. Em HAVANA, primeiro título da coleção, ele dá vida, em crônicas, a uma das mais fascinantes cidades do planeta. Com histórias engraçadas e curiosas, HAVANA foi lançado em outubro de 2010.

Índia, Alasca, Tibete, África, América Central, Amazonas. Depois de se dedicar a aventuras fantásticas e reais nos lugares mais inóspitos, exóticos e interessantes do planeta, o aventureiro e jornalista Airton Ortiz se concentra em novas peripécias. Consagrado pelo sucesso de seus livros na Coleção Viagens Radicais, ele segue a trilha do homem comum em outra selva: as grandes cidades. E busca retratar comportamentos e pintar idiossincrasias das mais variadas civilizações.

Em HAVANA — primeiro título da Coleção Expedições Urbanas — ele muda seu registro da reportagem para a crônica. Mas, como bom aventureiro, continua se metendo nas histórias que descreve. Há que ser irônico, mas sem perder a ternura. Como o título revela, é na capital e maior cidade de Cuba, de rica tradição histórica e cultural, que ele inaugura sua investigação sobre o bicho-homem. E o faz em textos bem humorados, que resgatam parte das histórias da cidade e mostram como os havaneses vivem, amam, choram e festejam.

Poucas cidades no mundo exercem um fascínio tão grande sobre as pessoas quanto Havana. Em que outro lugar um guerrilheiro como Che Guevara iria de limusine para o Banco Central, onde era presidente? Ou onde um chefão da Máfia, Al Capone, se hospedaria no mesmo hotel que o tenor Enrico Caruso? Ernest Hemingway comemorou o Nobel de Literatura em Havana, uma festa patrocinada pelo rum Bacardi. Fangio também escolheu suas ruas para festejar.

Ortiz começa sua aventura ouvindo jazz no Malecón, em meio às belas filhas de Oxum, e termina no Tropicana Nightclub, um dos mais famosos cabarés do mundo, desde a época em que servia de palco para Benny Moré e Maurice Chevalier. São 55 crônicas que mostram a luta dos havaneses contra as dificuldades econômicas e o orgulho de sua capital. As histórias de HAVANA são muitas. E todas estão estampadas nas vielas, nos prédios, nos cadilacs, no sorriso dos cubanos.

Agora ele dá um tempo na cidade. Ninguém precisa viver no mato a vida toda.

Orelha

Poucas cidades no mundo exercem um fascínio tão grande sobre as pessoas quanto Havana. Em que outro lugar um guerrilheiro como Che Guevara iria de limusine para o Banco Central, onde era presidente?

Al Capone chefiou a máfia norte-americana do sexto andar do hotel Sevilla, onde Georges Simenon e Joe Louis costumavam se hospedar. Enrico Caruso também ficou no Sevilla quando foi cantar a ópera Ainda no Gran Teatro de La Habana. Graham Greene situou no hotel parte do romance Nosso homem em Havana. Mais tarde ele explicou que gostava de ir à cidade por causa do bar El Floridita e do teatro Shangai.

O garçom Constante Ribalaigua colocou o El Floridita na história da coquetelaria internacional ao usar gelo picado para criar uma bebida à base de rum claro com suco de limão e açúcar, batizada de daiquiri.

Winston Churchill descansou ao final da guerra numa suíte do hotel Nacional, degustando os charutos cubanos. Ava Gardner, Errol Flynn, Marlon Brando e Clark Gable também gostavam de passar as férias no Nacional, onde a máfia organizou o maior encontro da sua história, encerrado com um concerto de Frank Sinatra.

Ernest Hemingway comemorou o prêmio Nobel de Literatura em Havana, uma festa patrocinada pelo rum Bacardi. Depois foi tomar mojito com os amigos no La Bodeguita, bar preferido de Salvador Allende e Nat King Cole e popularizado no Brasil nos versos de Chico Buarque.

Juan Manuel Fangio, pentacampeão mundial de Fórmula 1, tomava um trago no lóbi do hotel Lincoln na noite anterior à realização do II Grande Prêmio de Automobilismo de Cuba, promovido por Fulgencio Batista para amenizar a ditadura, quando foi seqüestrado. Após ser libertado, elogiou os guerrilheiros e ficou amigo de Fidel Castro.

Nem falei de Alejo Carpentier, Wilfredo Lam, Guillermo Cabrera Infante… Ah, e quase esquecia: Gabriel Garcia Marques e Fidel Castro ainda moram na cidade.

Aos poucos, à medida que as leis impostas pelo Partido Comunista de Cuba vão caindo em desuso, Havana vai recuperando o charme. Quando cheguei em Cuba o The Royal Ballet, de Londres, se apresentava no Gran Teatro de La Habana.

Comecei minha aventura ouvindo jazz no Malecón, em meio às belas filhas de Oxum, e terminei no Tropicana Nightclub, um dos mais famosos cabarés do mundo, desde a época em que servia de palco para Benny Moré e Maurice Chevalier.

Estas crônicas procuram resgatar parte dessas histórias e mostrar como os havaneses vivem nos dias atuais; lutando com dificuldades econômicas, mas orgulhosos de sua capital.

Vamos nessa?

6 Respostas para “Havana

  1. Airton sou um grande fã do seu trabalho, ainda não li apenas o seu livro sobre a Amazônia. Estou acabando de ler o Havana e como sempre estou adorando. Porem gostaria de fazer uma ressalva, Cuba está localizada no Oceano Atlântico e não no Pacífico ( rss desculpe mais não resisti). Sei que isso já deve ter sido revisado no entanto minha formação de Geografo me diz que tenho que te indicar essa correção. Alias seus livros são parte dessa minha formação pois não tenho dinheiro e possibilidade de ir para o exterior. A maneira que tenho de conhecer outras culturas se dá atraves de seus livros. Sou de Belo Horizonte e atleticano porem o seu conterrâneo L.F Verissimo me fez sentir simpatia pelo Inter, quase que você me fez torcer pelo Grêmio mais o Veríssimo ganhou (rss). Alias quando vem pra BH?

    No mais um grande abraço e obrigado por suas viagens.
    Gustavo de Oliveira

    • Gustavo, assim q der vou a BH me encontrar com vocês, pois tenho muitos leitores em MG. Quanto ao Pacífico em vez de Atlântico foi um desses erros tão grosseiros que, por serem tão grosseiros, passam por todos os revisores. Pelo menos é um erro q todo leitor se dá conta q é um erro, então o mal é menor. Quanto ao Grêmio, já nem sei mais o q pensar… tá brabo, né? Torço para que os cluvbes de MG não caiam, seria um desastre para o futebol brasileiro.
      Abraços
      0rtiz

  2. Airton fiquei muito satisfeito com a resposta, porque não esperava rss…Vou aproveitar pra te fazer uma pergunta então, qual o traço cultural brasileiro que é mais nitido lá em Cuba? É so o futebol mesmo ou tem outras caracteristicas?
    Uma outra coisa, no livro você fala sobre as jineteras, sobre o que você viu lá elas são garotas de programa que tem outras ocupações ou sobrevivem da prostituição mesmo?
    Alias pode fica te perguntando sobre esses detalhes que vejo nos seus livros?rsss…Se não tudo bem mas é porque me interesso muito por essas particularidades culturais e sou um pouco curioso tambem. Agora se puder mesmo meu amigo vai ser um email atrás do outro rss.
    Abraços
    Gustavo

  3. Gustavo, os cubanos adoram as nossas telenovelas, o nosso volei, o nosso carnaval e tudo o mais. São fans do Brasil. As jineteras trabalham de dia e se prostituem de noite. Não são prostitutas profissionais.
    Abraços
    0rtiz

  4. Ola Ortiz;
    Bom depois de ler seus livros mais uma duvida que me deu foi com relação a escolha do destino da viagem. É escolhido apenas por voce, indicação da editora ou por indicações de outros viajantes?

    No mais grande abraço
    Vida e estrada longa para você.
    Gustavo de Oliveira

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